quinta-feira, 16 de abril de 2015

A Casa da Nossa Causa

Marta Antunes Moura




Abril é mês especialmente importante porque os espíritas do mundo inteiro comemoram o lançamento de O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec, em 18 de abril de 1857. Com esta publicação, materializou–se no Planeta a era do advento do Paráclito ou Paracleto — entendido como aquele que consola ou conforta; o que encoraja e reanima; que faz reviver;  que intercede em nosso favor como um defensor —, também conhecido como o Consolador prometido por Jesus ou Espírito da Verdade, conforme dois registros do apóstolo João, aqui reproduzidos da Bíblia de Jerusalém:
  • “Se me amais, observareis meus mandamentos; e rogarei ao Pai e ele vos dará  outro Paráclito, para que convosco permaneça para sempre, o Espírito  da Verdade,  que o mundo não pôde acolher, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque permanece convosco. Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós.”(João, 14:19-17).
  • “Essas coisas vos disse estando entre vós. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará  tudo  e vos recordará tudo o que vos disse. “ (João, 14:25 e 26).
           O nascimento de Francisco Cândido Xavier, carinhosamente chamado Chico Xavier, é outra data que os espíritas, sobretudo os brasileiros, lembram com afeto e gratidão. Reencarnado pela última vez em 2 de abril de 1910, Chico Xavier retornou ao plano espiritual em 30 de junho de 2002.
            Ambos os acontecimentos, lançamento de O Livro dos Espíritos e o nascimento de Francisco Cândido Xavier, marcam, de forma indelével, a promessa do Cristo, registrada por João evangelista. Mostra, sem sombra de dúvidas, que a falange do Consolador, mantida sob as sábias e amorosas orientações de Jesus, o Espírito da Verdade, é constituída por Espíritos, encarnados e desencarnados, profundamente sintonizados com a mensagem do Evangelho. Kardec e Chico Xavier são exemplos de obreiros do Senhor,  que todos nós, os espíritas, desejamos ser, um dia. Os obreiros sinceros da seara espírita são definidos em O Evangelho segundo o Espiritismo como os que “[…] houverem trabalhado no campo do Senhor, com desinteresse e sem outro motivo, senão a caridade![…].”1
           O Programa de Cristianização da Humanidade, à luz do entendimento espírita,  conta com a participação de Espíritos devotados, pertencentes a diferentes graus evolutivos, inúmeros dos quais ainda lutando contra as próprias imperfeições, porém capazes de se manterem firmes no propósito de  jamais se afastarem do chamamento do Espírito da Verdade: “Irmãos, trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra.”1  Contudo, a coordenação de um programa de tal envergadura encontra-se, certamente, nas mãos de obreiros que já superaram as más inclinações e, por isto mesmo, são conhecidos como guardiões planetários. Estes, integram a Falange luminosa de Jesus, o Espírito da Verdade que, no Brasil, está representada por “um dos seu elevados mensageiros na face do orbe terrestre”2, Ismael. O Espírito Humberto de Campos nos transmite a ordenação do Cristo quanto a missão de Ismael em terras brasileiras:
 — Ismael, manda meu coração que doravante sejas o zelador dos patrimônios imortais que constituem a Terra do Cruzeiro. Recebe-a nos teus braços de trabalhador devotado da minha seara, como a recebi no coração, obedecendo as sagradas inspirações do nosso Pai. Reúne as incansáveis falanges do Infinito, que cooperam nos ideais sacrossantos da minha doutrina, e inicia, desde já, a construção da pátria do meu ensinamento. Para aí transplantei  a árvore da minha misericórdia e espero a cultives com a tua abnegação e com o teu sublimado heroísmo […].2
                Obviamente, toda nação e povo, no cenário da nossa humanidade, tem uma missão principal a ser cumprida no concerto das nações. E a missão especial do Brasil é a de se transformar em Pátria do Evangelho, a despeito de todos os sacrifícios que foram, são e serão impostos aos Espíritos  aqui reencarnados.
                Sabemos, no entanto, que toda missão, por menor que seja e independentemente do local geográfico e nacionalidade, é executada com base em um plano/planejamento definido pelos emissários celestiais, em nome de Jesus, o Governador da Terra. Neste sentido, a Federação Espírita Brasileira foi selecionada pelo Alto, por Jesus e Ismael, como a Instituição  que seria “[…] a depositária  e diretora de todas as atividades evangélicas da Pátria do Cruzeiro. Todos os grupos doutrinários, ainda os que se lhe conservam contrários, ou indiferentes, estão ligados a ela por laços indissolúveis no mundo espiritual.”3
                  Atento a este Planejamento superior, Emmanuel — outro membro da Falange do Espírito da Verdade — definiu a necessidade dos espíritas conhecerem, em detalhes, a Codificação Espírita. Entra em cena, então,  a tarefa missionária de Chico Xavier que, por meio da sua excepcional mediunidade, a ponto de ser cognominado “antena psíquica do século”,  resgata o Evangelho de Jesus, interpretando-o segundo  o Espiritismo.
                    Não é por acaso, pois, que Emmanuel declara, peremptoriamente, em mensagem dirigida aos amigos do Centro Espírita Luiz Gonzaga, a necessidade de apoiar a Federação Espírita Brasileira, escolhida como a instituição espírita para onde escoaria a maioria da produção mediúnica do médium Francisco Candido Xavier. Destacamos, a propósito, um trecho das palavras deste admirável benfeitor espiritual:
Devemos esclarecer aos companheiros encarnados que assim agimos, em atenção a compromissos assumidos no plano superior, no sentido de colaborarmos todos no progresso e engrandecimento da Federação Espírita Brasileira, que  representa a Casa de nossa Causa, diante da qual nossos desejos devem desaparecer, por meio da renúncia sadia, ainda mesmo quando apareçam dificuldades de imediata compreensão com os trabalhadores encarnados que a dirigem e  movimentam, de vez que, acima de nós, permanece a Obra do Cristo no Espiritismo, nela mediada, cabendo-nos o dever de auxiliá-la e prestigiá-la tanto quanto seja possível, com o esquecimento de nossas próprias necessidades, pois somente assim, unidos na concórdia e no serviço incessantes, é que cooperaremos em favor da vitória do Espiritismo nas consciências. 4
                                                   Referências Bibliográficas
  1. KARDEC, Allan.  O evangelho segundo o espiritismo. Trad. de Evandro Noleto Bezerra. 2 ed. 1ª imp. Cap. XX, item 5, p.264. Brasília: FEB, 2013.
  2. XAVIER, Francisco Cândido. Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho. Pelo Espírito Humberto de Campos. 33 ed. 4 imp. Cap. 3, p. 26. Brasília: FEB, 2013.
  3. ______. Cap.28, p. 175.
  4. ______. Fé e vida. Pelo espírito Emmanuel. 1 ed. 1ª imp. Cap. 21, p.89. Brasília: FEB; São Paulo: CEU, 2014.

Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/geral/a-casa-da-nossa-causa/

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Natal na visão Espírita



Marta Antunes Moura




Natal é comemorado no dia 25 de dezembro porque a data foi retirada de uma festa pagã muito popular existente na Roma antiga, e que fora oficializada pelo imperador Aureliano em 274 d. C. A finalidade da festa era homenagear o deus sol Natalis Solis Invicti (Nascimento do Sol Invicto)   considerado a primeira divindade do império romano  e festejar o início do solstício de inverno.

Com o triunfo do Cristianismo, séculos depois, a data foi utilizada pela igreja de Roma para comemorar o nascimento do Cristo (que, efetivamente, não ocorreu em 25 de dezembro), considerado, desde então, como o verdadeiro “sol” de justiça. Com o passar do tempo, hábitos e costumes de diferentes culturas foram incorporados ao Natal, impregnando-o de simbolismo: a árvore natalina, por exemplo, é contribuição alemã, instituída no século XVI, com o intuito de reverenciar a vida, sobretudo no que diz respeito aos pinheiros, que conservam a folhagem verde no inverno; o presépio foi ideia de Francisco de Assis, no século XIII. As bolas e estrelas que enfeitam a árvore de Natal representam as primitivas pedras, maçãs ou outros elementos com que no passado se adornavam o carvalho, precursor da atual árvore de Natal.
 

Antes de serem substituídas por lâmpadas elétricas coloridas, as velas eram enfeites comuns nas árvores, como um sinal de purificação, e as chamas acesas no dia 25 de dezembro são uma referência ao Cristo, entendido como a luz do mundo. A estrela que se coloca no topo da árvore é para recordar a que surgiu em Belém por ocasião do nascimento de Jesus. Os cartões de Natal apareceram pela primeira vez na Inglaterra, em meados do século XIX. Os espíritas veem o Natal sob outra ótica, que vai além da troca de presentes e a realização do banquete natalino, atividades típicas do dia. Já compreendem a importância de renunciar às comemorações natalinas que traduzam excessos de qualquer ordem, preferindo a alegria da ajuda fraterna aos irmãos menos felizes, como louvor ideal ao Sublime Natalício.

Os verdadeiros amigos do Cristo reverenciam-no em espírito.
 A despeito do relevante significado que envolve o nascimento e a vida do Cristo e sua mensagem evangélica, sabemos que muitos representantes da cristandade agem como cristãos sem o Cristo, porque vivenciam um Cristianismo de aparência.

Neste sentido, afirmava o Espírito Olavo Bilac que “ser cristão é ser luz ao mundo amargo e aflito, pelo dom de servir à Humanidade inteira”. Chegará a época, contudo, em que Jesus, o guia e modelo da Humanidade terrestre, será reverenciado em espírito e verdade; Ele deixará de ser visto como uma personalidade mítica, distante do homem comum; ou mero símbolo religioso que mais se assemelha a uma peça de museu, esquecida em um canto qualquer, empoeirada pelo tempo. Não podemos, contudo, perder a esperança. Tudo tem seu tempo para acontecer.

No momento preciso, quando se operar a devida renovação espiritual da Humanidade, indivíduos e coletividades compreenderão que [...] Jesus representa o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo, e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão de sua lei [...].


Distanciado dos simbolismos e dos rituais religiosos, o espírita consciente procura festejar o Natal todos os dias, expressando-se com fraternidade e amor ao próximo. Admite, igualmente, que [...] a Doutrina Espírita nos reconduz ao Evangelho em sua primitiva simplicidade, porquanto somente assim compreenderemos, ante a imensa evolução científica do homem terrestre, que o Cristo é o sol moral do mundo, a brilhar hoje, como brilhava ontem, para brilhar mais intensamente amanhã.  Perante as alegrias das comemorações do Natal, destacamos três lições ensinadas pelos orientadores espirituais, entre tantas outras. Primeira, o significado da Manjedoura, como assinala Emmanuel: As comemorações do Natal conduzem-nos o entendimento à eterna lição de humildade de Jesus, no momento preciso em que a sua mensagem de amor felicitou o coração das criaturas, fazendo-nos sentir, ainda, o sabor de atualidade dos seus divinos ensinamentos.

A Manjedoura foi o Caminho. A exemplificação era a Verdade. O Calvário constituía a Vida. Sem o Caminho, o homem terrestre não atingirá os tesouros da Verdade e da Vida. Segunda, a inadiável (e urgente) necessidade de nos aproximarmos mais do Cristo, de forma que o seu Evangelho se reflita, efetivamente, em nossos pensamentos, palavras e atos. Para a nossa paz de espírito não é mais conveniente sermos cristãos ou espíritas “faz de conta”.[...]

Comentando o Natal, assevera Lucas que o Cristo é a Luz para alumiar as nações. Não chegou impondo normas ou pensamento religioso. Não interpelou governantes e governados sobre processos políticos. Não disputou com os filósofos quanto às origens dos homens. Não concorreu com os cientistas na demonstração de aspectos parciais e transitórios da vida. Fez luz no Espírito eterno.

Embora tivesse o ministério endereçado aos povos do mundo, não marcou a sua presença com expressões coletivas de poder, quais exército e sacerdócio, armamentos e tribunais. Trouxe claridade para todos, projetando-a de si mesmo. Revelou a grandeza do serviço à coletividade, por intermédio da consagração pessoal ao Bem Infinito. Nas reminiscências do Natal do Senhor, meu amigo, medita no próprio roteiro.

Tens suficiente luz para a marcha? Que espécie de claridade acendes no caminho? Foge ao brilho fatal dos curtos-circuitos da cólera, não te contentes com a lanterninha da vaidade que imita o pirilampo em voo baixo, dentro da noite, apaga a labareda do ciúme e da discórdia que atira corações aos precipícios do crime e do sofrimento. Se procuras o Mestre divino e a experiência cristã, lembra-te de que na Terra há clarões que ameaçam, perturbam, confundem e anunciam arrasamento...

Estarás realmente cooperando com o Cristo, na extinção das trevas, acendendo em ti mesmo aquela sublime luz para alumiar? Por último é muito importante aprendermos a ser gratos a Jesus pelas inúmeras bênçãos que Ele nos concede cotidianamente, em nome do Pai, como a família, os amigos, a profissão honesta, a vivência espírita etc., sabendo compartilhá-las com o próximo, como aconselha Meimei: Recolhes as melodias do Natal, guardando o pensamento engrinaldado pela ternura de harmoniosa canção...
 

Percebes que o Céu te chama a partilhar os júbilos da exaltação do Senhor nas sombras do mundo. [...] Louva as doações divinas que te felicitam a existência, mas não te esqueças de que o Natal é o Céu que se reparte com a Terra, pelo eterno amor que se derramou das estrelas. Agradece o dom inefável da paz que volta, de novo, enriquecendo-te a vida, mas divide a própria felicidade, realizando, em nome do Senhor, a alegria de alguém!...
 

Referências:
1DUTRA, Haroldo D. O novo testamento. (Tradutor). Brasília: EDICEI, 2010. p. 258.
2VIEIRA, Waldo. Conduta espírita. Pelo Espírito André Luiz. 31. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 47, p. 154.
3XAVIER, Francisco C. Antologia mediúnica do natal. Espíritos diversos. 6. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 76, p. 201.
4KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 625.
5______. ______. Comentário de Kardec àq. 625.
6XAVIER, Francisco C. Religião dos espíritos. Pelo Espírito Emmanuel. 21. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. Jesus e atualidade, p. 296.
7______. Antologia mediúnica do natal. Espíritos diversos. 6. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 21, p. 57.
8LUCAS, 2:32.
9XAVIER, Francisco C. Antologia mediúnica do natal. Espíritos diversos. 6. ed.Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 4.
10______. ______. Cap. 29, p. 73-74.


Fonte: http://helenadedo.blogspot.com.br/2011/12/texto-de-marta-antunes.html

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A Desencarnação

Marta Antunes de Moura



A morte do corpo físico é fenômeno natural que atinge  todos os seres da Criação, cedo ou tarde. A desencarnação acontece quando os laços perispirituais, até então mantidos enraizados, molécula a molécula no corpo físico, se desfazem, concedendo liberdade ao Espírito que passa a viver em outra dimensão da vida.
Segundo o Espiritismo,  a morte é  “[...] uma simples mudança de estado, a destruição de uma forma frágil que já não proporciona à vida as condições necessárias ao seu funcionamento e à sua evolução. [...].1Ensina igualmente:  a separação do Espírito  do corpo que lhe pertencia não é   dolorosa, sobretudo quando das mortes naturais, que decorre dos desgastes biológicos dos órgãos2, como também  não é uma separação  brusca. A “alma se desprende gradualmente e não escapa como um pássaro cativo a que se restituiu subitamente a liberdade.[...].”3  Assim,nunca é demais lembrar:
[...] A observação comprova que, no instante da morte, o desprendimento do perispírito não se completa subitamente; que se opera gradualmente e com uma lentidão muito variável conforme os indivíduos. Em uns é bastante rápido, podendo dizer-se que o momento da morte é também o da libertação, que se verifica logo após; em outros, sobretudo naqueles cuja vida foi toda material e sensual, o desprendimento é muito menos rápido, durando algumas vezes dias, semanas e até meses, o que não implica a existência, no corpo, da menor vitalidade, nem a possibilidade de um retorno à vida.  [...].De fato, é racional conceber-se  que, quanto mais o Espírito se tenha  identificado com a matéria, tanto mais penoso lhe seja separar-se dela,  ao passo que a atividade intelectual e moral e a elevação dos pensamentos operam um começo de desprendimento, mesmo a vida durante o corpo.[...].4
A falência dos órgãos e o desprendimento perispírito que se segue definem o estado de transição ou de passagem de um plano para outro. Neste momento, o Espírito encontra-se inconsciente5, situação que pode perdurar por um maior ou menor espaço de tempo, da acordo com as condições pessoais de cada um.
 A chegada no plano espiritual, porém,  pode ser sofrida ou não. Trata-se de um sofrimento moral. É a alma que sofre, não o corpo, pois este transforma em matéria inerte, morta, em processo de decomposição. O  sofrimento poderá ser mais agravado se o Espírito se manter jungido ao corpo em decomposição e à vida que se extinguiu.
Situações semelhantes são encontradas em certos gêneros de suicídios, em homicídios; em desencarnantes presos a profundos remorsos, ou, ainda, em Espíritos vinculados aos prazeres da vida material, apegados excessivamente a bens e/ou pessoas. Nestas circunstâncias, a morte é vista  como uma perda irreparável, um sofrimento atroz, uma sensação de destruição total, porque ele, o Espírito, desconhece a sua própria imortalidade que existe e preexiste à morte do veículo somático.
 Situação bem diversa acontece com o Espírito que durante a existência se deixou conduzir por uma vida mais simples, sem ganâncias ou ambições exageradas; que procurou desenvolver virtudes, combatendo imperfeições; que praticou a caridade, promovendo o bem; que cumpriu os seus deveres familiares, profissionais e sociais.
 A sua desencarnação será mais amena;  os sofrimentos e as angústias do período de transição serão passageiros e breves;  a adaptação  na nova moradia será tranquila, sabendo administrar com serenidade a saudade dos entes queridos que permanecem reencarnados, e as surpresas do além-túmulo.
 Ajustado à vida no plano espiritual, o Espírito  colherá, então,  os frutos, bons ou amargos,  do que semeou durante a experiência reencarnatória, se submetendo, no final das contas, à lei de progresso. É o que nos lembra André Luiz quando aponta  o valor da desencarnação como lei divina:
Toda morte traz dor.
Sem a desencarnação, porém, não atingiríamos a renovação precisa, largando processos menos felizes de vivência ou livrando-nos da caducidade no terreno das formas.
Compreendamos, em face disso, que não podemos louvar as dificuldades que nos rodeiam, mas é imperioso reconhecer que, sem elas, eternizaríamos paixões, enganos, desequilíbrios e desacertos, motivo pelo qual será justo interpretá-las por chaves libertadoras, que funcionam em nosso Espírito, a fim de que nosso Espírito se mude para o que deve ser, mudando em si e fora de si tudo aquilo que lhe compete mudar.6
Bibliografia
1.        DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. 1. ed. Rio de Janeiro:FEB, 2008. 1ª Parte (O Problema do Ser), cap. X (A morte), p.175.
2.        KARDEC, Allan. O livro dos espíritos.  céu e o inferno. Tradução de Evandro Noleto Bezerra.4. ed. 1. Imp. Brasília: FEB: 2013. Questão 154-comentário, pág. 113.
3.        ______. Questão 155-a, pág. 113.
4.        ______. Questão 155-a-comentário, p.114.
5.        ______. O céu e o inferno. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. Imp. Brasília: FEB: 2013. 2ª Parte. Cap. I, it.7,  pág. 157.
6.        XAVIER, Francisco Cândido/WORM, Fernando. Janela para a vida. 1. Ed. Porto Alegre: Francisco Spinelli, 2014. Cap. VI, , p. 128



Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/geral/colunistas/a-desencarnacao/