quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O Transe mediúnico

Marta Antunes de Moura


CONCEITOS
Etimologicamente, transe traz o significado de crise, de momento crítico. Para a Medicina, é um estado similar ao do sono, mas com limitado contato sensitivo e motor.1 A Psicologia, explica que é o transe assemelha-se ao sono, mas, por ocorrer alteração da consciência, há reduzida sensibilidade a estímulos, perda ou alteração do conhecimento do que sucede à volta, substituição da atividade voluntária pela automática [involuntária].2
O transe mediúnico é considerado como “[...] um estado especial, entre a vigília e o sono, que de alguma sorte abre as portas da subconsciência [...].”3 É também considerado um “[...] estado de baixa tensão psíquica [...], com estreitamento do campo de consciência e dissociação.”3
Recordemos que há fatos psíquicos que ocorrem automaticamente, caracterizados pela participação passiva (inconsciente/automática) do indivíduo. Trata-se de um estado de baixa tensão psíquica, detectados nos atos instintivos, nas manifestações dos e emoções. Quando há participação ativa (alta tensão), identificamos as operações intelectuais, o uso da vontade e a manifestação da atividade criadora.
O decréscimo da atividade mental (baixa tensão psíquica) conduz à passividade que é o caminho natural do transe, mediúnico ou não. A pessoa que encontra sob atividade intelectual funciona em regime de alta tensão psíquica, conhecida como estado de vigília. Já o médium é alguém que se torna passivo aos comandos do consciente, habitua-se a fazer mergulhos no consciente, por vontade própria ou por indução externa (Espírito comunicante, hipnose), a fim de que   se lhe amplie a percepção anímica.
O transe de qualquer modalidade (mediúnico, anímico, por hipnose ou decorrente de enfermidade) produz, necessariamente, algum grau de dissociação psíquica que se reflete no cérebro, em regiões específicas. Em certas manifestações mediúnicas e/ou anímicas, como no sonambulismo, o grau de dissociação mental é elevado, produzindo amnésia, parcial ou total, dos fatos ocorridos durante o transe.
Situação semelhante (de elevada dissociação) é também encontrada durante a hipnose, magnética ou obsessiva, por efeito de certos medicamentos (psicotrópicos, por exemplo) e em algumas enfermidades (coma diabético, entre outros).
Importa acrescentar que no transe mediúnico há ativação ou redução de metabólitos, requisitando assistência de benfeitores espirituais, a fim de que o veículo somático do médium não sofra prejuízos..
Há quem confunda, incorretamente, o transe com o sono. O sono é “[...] caracterizado por supressão da vigilância, desaceleração do metabolismo, relaxamento muscular, diminuição da atividade sensorial, suspensão das experiências conscientes [...], pela aparição concomitante do sonho.”4
Trata-se, portanto, de uma situação muito diferente de que ocorre no transe mediúnico, a despeito de existirem pontos semelhantes entre os dois fenômenos.
GRAUS DO TRANSE MEDIÚNICO
O transe pode ser superficial ou profundo e, entre um extremo e outro, há uma gradação infinita: são os transes parciais.
Transe superficial: não existe amnésia. O médium recorda todos os acontecimentos, colaborando na transmissão da mensagem do Espírito comunicante. No médium principiante costumam existir dúvidas se de fato ocorreu um transe mediúnico.5
Transe profundo: as recordações dos acontecimentos raramente chegam à consciência do médium. No entanto, em decorrência da prática mediúnica, é possível não ocorrer amnésia total, de forma que alguma coisa ainda pode ser lembrada.
É importante insistir que, mesmo no estado de transe muito profundo, o médium não perde totalmente a ligação com a consciência. Há lembrança subliminar porque o Espírito do médium está ligado ao corpo. Nessa situação, o médium é suscetível de sugestibilidade.
Nos transes profundos a passividade mediúnica é maior. Isso é claramente observado nos médiuns sonambúlicos psicofônicos. Nesta situação, o “[...] médium falante geralmente se exprime sem ter consciência do que diz e muitas vezes diz coisas completamente estranhas às suas idéias habituais, aos seus conhecimentos e, até, fora do alcance de sua inteligência. Embora se ache perfeitamente acordado e em estado normal [de transe], raramente guarda lembrança do que disse.”6
Transes parciais: representam gradações do estado do rebaixamento psíquico. Nos transes parciais, os médiuns recordam apenas alguns acontecimentos ou trechos da mensagem transmitida pelo comunicante espiritual.
Referências
  1. DICIONÁRIO MÉDICO ENCICLOPÉDICO TABER. Trad. Fernando Gomes do Nascimento. 1 ed. São Paulo: Manole, 2000, p.1737.
  2. HOUAISS, Antônio e VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 2750.
  3. CERVIÑO, Jayme. Além do inconsciente. 5. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. 1, item: O Transe, p. 17.
  4. HOUAISS, Antônio e VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 2608.
  5. CERVIÑO, Jayme. Além do inconsciente. 5. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. , item: Fases do transe, p. 20-22.
  6. KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2 ed. 1 imp. Brasília: FEB, 2013. Cap. 14, item 166, p. 175.

Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/geral/colunistas/o-transe-mediunico/

terça-feira, 2 de setembro de 2014

A qual grupo pertenço?

Antonio Cesar Perri de Carvalho


Entre modismos e casuísmos há muitos “ismos” sempre surgem criando polêmicas que muitas vezes comprometem o tempo e o espaço destinado ao trabalho rotineiro à difusão do Espiritismo.

Na época da fundação da FEB pululavam questões entre as vertentes de interpretações científica e mística. Muitos cenários foram criados no seio do Movimento Espírita.

Nesse ínterim, a “Federação Espírita Brasileira ultrapassa os 130 de sua fundação com incontáveis folhas de prestação de serviços ao Movimento Espírita do país e do mundo. É o resultado de dedicações e de demonstrações de amor à Causa que se somaram num esforço coletivo e continuado, liderados por uma quantidade imensa de seus pioneiros, dirigentes e colaboradores de todas as épocas.”1

Ações marcantes demonstram a força do ideal e do trabalho, como as efemérides comemoradas neste ano, dos 130 anos da FEB, 100 anos de evangelização da criança na FEB e os 65 anos do “Pacto Áureo”.

São alguns dos fatos que concretizam o vaticínio do espírito Humberto de Campos:

“Nas amplas e diversificadas atuações da Federação Espírita Brasileira, o lema de Ismael “Deus, Cristo e Caridade” tem sido o foco de inspiração e delineamento de rumos, em coerência com o projeto da Espiritualidade de preparar a transformação de nosso país em “Coração do Mundo e Pátria do Evangelho”.2

Os recentemente definidos valores da FEB: “Humildade, Caridade, Comprometimento, Solidariedade, Ética, União”1 devem fundamentar os projetos e ações de todos os trabalhadores vinculados direta ou indiretamente às ações da FEB.

No ano do Sesquicentenário de O evangelho segundo o espiritismo, a FEB promove e estimula a campanha “Viva o Evangelho. Para todos os corações uma mesma mensagem”.3

A propósito, o espírito Sayão (denodado antigo trabalhador da FEB) considera que se greve “na própria alma a legenda luminosa inspirada no Codificador: Trabalho, Solidariedade e Tolerância.”4 Sugere ainda que no “[...] solo sagrado onde depositada a Árvore do Evangelho — sabem, em seus corações operosos e dóceis, cumprir as diretrizes mencionadas: Trabalho, com o Cristo, na lapidação do próprio ser, gastando-se na doação ao próximo, seja que for, sem aguardar nenhum reconhecimento ou benefício; Solidariedade, com o Mestre Inesquecível, para enxergar em todos os irmãos de caminhada, tão amados por Deus como nós, e, por isso, merecedores de respeito e consideração; Tolerância, com o Cordeiro Celeste, que soube suportar nossa ignorância, desculpando infinitamente as maldades cometidas pelas almas em infância espiritual.” 4

E, no final da mensagem propõe uma reflexão: “[...] a qual desses grupos pertenço?” 4

Referências:


2) XAVIER, Francisco C. Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho. Pelo Espírito Humberto de Campos. Cap. 28.


4) Mensagem psicográfica recebida pelo médium Ricardo Silva, no dia 7/7/2014, no Grupo Mediúnico Frederico Figner, na FEB.

Antonio Cesar Perri de Carvalho é presidente da FEB.



Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/geral/colunistas/a-qual-grupo-pertenco/
 


A verdade, a Bondade e a Utilidade

Marta Antunes de Moura
 
 
Perante qualquer informação que nos chegue, independentemente da via de comunicação utilizada (conversa, leitura, audição etc.) é de fundamental importância refletir se o conteúdo da mensagem apresenta os critérios da verdade, da bondade e da utilidade.

Acredita-se que foi o filósofo grego Sócrates (Atenas, 469 a.C/.Atenas, 399 a.C) que teria estabelecido como princípio ético esses três critérios de análise de uma mensagem ou informação, antes de divulgá-la. É metodologia ética porque, como tal, ética (do grego, ethikos) significa dizer “bom costume”, que pode ser exercitado continuamente desde que submenta ações morais ao controle da razão.

Trata-se de uma forma exemplar de desenvolver a arte de viver e de conviver, que oferece condições propícias ao indivíduo de definir, para si, um estilo de vida, privado e público, necessário à manutenção do bom relacionamento interpessoal. Então vejamos;

A verdade: em bom português, significa estar de conformidade com os fatos ou a realidade.1 Para a Filosofia, a verdade deve ter “validade ou eficácia dos procedimentos cognoscitivos.”2 (Cognoscitivos=que tem a faculdade de conhecer, hábil no aprendizado, capacitado para aprender)

A Bondade: é a qualidade moral dos que tem a alma nobre e generosa, como conceitua o dicionário, os preceitos filosóficos e religiosos.

Utilidade: palavra que descreve tudo o que serve de meio ou instrumento para um fim qualquer que, por extensão, indica aquilo que atende às necessidades e satisfações humanas, mantendo-se o homem integrado no meio social onde se encontra inserido.3

Emmanuel destaca que no processo de convivência humana é imprescindível desenvolvamos a capacidade de cooperação, que assim se exprime:

Ninguém guarde a presunção de elevar-se sem o auxílio dos outros, embora não deva buscar a condição parasitária para a ascensão. Referimo-nos à solidariedade, ao amparo proveitoso, ao concurso edificante. Os que aprendem alguma coisa sempre se valem dos homens que já passaram, e não seguem além se lhes falta ao interesse dos contemporâneos, ainda que esse interesse seja mínimo.4

Ante tais considerações, inserimos, em seguida, uma belíssima e inteligente interpretação dos critérios socráticos, realizada pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos), transmitida por intermédio da mediunidade do saudoso Chico Xavier, a qual se revela como precioso roteiro para a nossa vivência nos dias atuais.

Os Três Crivos

Irmão X

… Certa feita, um homem esbaforido achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos ouvidos:

— Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular…

— Espera!… ajuntou o sábio prudente. Já passaste o que me vais dizer pelos três crivos?

— Três crivos?! – perguntou o visitante, espantado.

— Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. O primeiro é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza, quanto àquilo que pretendes comunicar?

— Bem, ponderou o interlocutor, assegurar mesmo, não posso… Mas ouvi dizer e… então…

— Exato. Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julgas saber, será pelo menos bom o que me queres contar?

Hesitando, o homem replicou:

— Isso não!… Muito pelo contrário…

— Ah! – tornou o sábio – então recorramos ao terceiro crivo: o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.

— Útil?!… – aduziu o visitante ainda agitado.

— Útil não é…

— Bem – rematou o filósofo num sorriso —, se o que tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que nada valem casos sem edificações para nós…

Aí está, meu amigo, a lição de Sócrates, em questões de maledicência…

______________

Francisco Cândido Xavier. Aulas da Vida. Diversos Espíritos. (Mensagem Os três crivos – Espírito Humberto de Campo/Irmão X). São Bernardo do Campo: GEEM, 1981.



Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/geral/colunistas/a-verdade-a-bondade-e-a-utilidade/

 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

À Luz do Evangelho – Diretrizes para a Evangelização Segundo Emmanuel

Marta Antunes de Moura




Há setenta e seis anos, em 13 de maio de 1938, o então vice presidente da Federação Espírita Brasileira, Manuel Justiniano de Freitas Quintão — que também ocupou a presidência da FEB em três mandatos (1915, 1918 e 1929) — visitou o saudoso médium Chico Xavier, em Pedro Leopoldo. Foi um encontro de almas afins, amigos de existências pretéritas que, unidos em torno do ideal e da responsabilidade de espalhar as luzes do Evangelho de Jesus, segundo a interpretação espírita, souberam manter-se fieis ao compromisso de servir ao Cristo, abstraindo-se de qualquer manifestação de vaidade ou de personalismo.

Relendo tais informações, somos naturalmente envolvidos por sinceras emoções que nos conduzem às lágrimas, apenas ao imaginar como deve ter sido feliz aquele encontro e, também, por constatar que hoje há carência de boas lideranças como a do Chico e de Quintão. Temos, sim, na atualidade espíritas muito devotados, exemplos vivos de retidão, pessoas que verdadeiramente se sacrificam pela Causa Espírita. Contudo, infelizmente, há escassez de liderança, em qualquer cenário que se focalize (político, social, religioso e espírita) porque o egocentrismo, a idolatria de si mesmo, está se alastrando no mundo como uma erva daninha.

Em geral, percebe-se que há pouca preocupação com o bem coletivo, com o próximo. A tônica, quase patológica, é a de “deixar uma marca no mundo”, independentemente se valores morais e éticos estariam sendo violentados. Na verdade, o discurso dos falsos inovadores é marcado pelo descompromisso moral, ainda que preguem a necessidade de ser bom, de fazer o bem, e recheiam suas falas com citações do Evangelho ou indiquem leituras de páginas escritas por Espíritos veneráveis.

São tropeços e desafios inerentes ao período de transição, em plena vigência na atualidade, mas que cabe ao espírita cristão enxergar com clareza para saber agir corretamente e fazer escolhas acertadas. Até porque, esclarece Allan Kardec:

À agitação dos encarnados e dos desencarnados se juntam, por vezes e na maioria das vezes, já que tudo se conjuga, na natureza, as perturbações dos elementos físicos; é então, por um tempo, uma verdadeira confusão geral, mas que passa como um furacão, depois do que o céu se torna sereno, e a humanidade, reconstituída sobre novas bases, imbuída de novas ideias, percorre uma nova etapa de progresso. 1

Retornando à visita de Quintão, na ocasião, Emmanuel transmitiu, pela mediunidade de Chico Xavier, uma mensagem que permanece atual. Publicada inicialmente no Reformador de julho de 1938, recebeu este título: Mensagem de Emmanuel – o grande labor de todos os tempos e o labor precípuo para resolvê-lo. Republicada no Reformador de maio de 1976, passou a ser denominada À Luz do Evangelho.

Nessa comunicação mediúnica Emmanuel põe em evidência a necessidade da evangelização para o ser humano, independentemente da faixa etária em que se encontre, e fornece preciosas e confiáveis diretrizes à sua execução. Por se tratar de um resgate histórico, oriundo da época em que a evangelização espírita infanto-juvenil encontrava-se em processo de organização e funcionamento no Brasil, pedimos ao leitor amigo leitura atenta e reflexiva do texto que se segue, a fim de não nos iludirmos quanto ao caminho que devemos seguir. Eis a mensagem:

Meus amigos:

Saudando o nosso irmão presente, bem como aos demais companheiros da nossa caravana evangélica, faço-o na paz de Jesus, desejando-vos a sua luz santificadora.

Nada mais útil do que o esforço de evangelização, na atualidade, e é dentro dessa afirmativa luminosa que precisamos desenvolver todos os nossos labores e pautar todos os pensamentos e atitudes. As transições terríveis e amargas do século têm sua origem na clamorosa incompreensão do exemplo do Cristo. O trabalho secular de organização das ciências positivas caminhou a par da estagnação dos princípios religiosos. Os absurdos contidos nas afirmações e negações de hoje são o coroamento da obra geral das ciências humanas, entre as quais, despojada de quase todos os seus aspectos magníficos da Antiguidade, vive a filosofia dentro de um negativismo transcendente. E o que se evidencia, aos amargurados dias que passam, é , de um lado, a ciência que não sabe e, de outro, a religião que não pode.

O nosso labor deve caracterizar-se totalmente pelo esforço de renovação das consciências e dos corações, à luz do Evangelho. Urge, pelos atos e pelos sentimentos, retirar da incompreensão e da má-fé todas as leis orgânicas do código divino, e aplicá-las à vida comum.O vosso sacrifício e o vosso esforço executarão o trabalho regenerador, mas necessário é não vos preocupeis com os imperativos do tempo, divino patrimônio da existência do espírito. À força de exemplificação e apoiados nas vossas convicções sinceras, conseguireis elevadas realizações, que farão se transladem para as leis humanas as leis centrais e imperecíveis do Divino Mestre.

Esse o grande problema dos tempos.

Nenhuma mensagem do mundo espiritual pode ultrapassar a lição permanente e eterna do Cristo, e a questão, sempre nova, do Espiritismo é, acima de tudo evangelizar, ainda mesmo com sacrifício de outras atividades de ordem doutrinária.

A alma humana está cansada de ciência sem sabedoria e, envenenado pelo pensamento moderno, o cérebro, nas suas funções culturais, precisa ser substituído pelo coração, pela educação do sentimento. O Evangelho e o trabalho incessante pela renovação do homem interior devem constituir a nossa causa comum. Procuremos desenvolver nesse sentido todo o nosso esforço dentro da oficina de Ismael, e teremos encontrado, para a nossa atividade, o setor de edificação sadia e duradoura.

Que Jesus abençoe os labores do nosso amigo e dos seus companheiros, que, com abnegação e renúncia, lutam pela causa do glorioso Anjo, servindo de instrumento sincero à orientação superior da sua Casa no Brasil, é a rogativa muito fervorosa do irmão e servo humilde.

Emmanuel

Referências

  1. KARDEC, Allan. A gênese. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2 ed. 1imp. Brasília: FEB, 2013. Cap.XVIII, it. 9, p. 349.
 
 
Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/geral/colunistas/a-luz-do-evangelho-diretrizes-para-a-evangelizacao-segundo-emmanuel/

 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Sinais da Obsessão

 

Marta Antunes de Moura



O espírita consciente compreende que qualquer tarefa, realizada ou não na Casa Espírita, está passível de sofrer interferências indevidas que podem comprometer o  seu funcionamento harmônico. No que diz respeito à prática mediúnica em geral, e ao comportamento dos integrantes da reunião mediúnica, em particular, a vigilância deve ser redobrada, a fim de que a obsessão não se instale. Daí Emmanuel recomendar: “Toda vez que obstáculos se nos interponham entre o dever da ação e a necessidade da cooperação no serviço do bem aos semelhantes, que redundará sempre em benefício a nós mesmos, peçamos o Auxílio Divino, através da prece silenciosa [...].”1
A obsessão é, segundo Allan Kardec, uma das maiores dificuldades que a prática espírita pode apresentar. Caracteriza-se pelo “[...]  domínio que alguns Espíritos exercem sobre certas pessoas. É praticada unicamente por Espíritos inferiores, que procuram dominar, pois os Espíritos bons não impõem nenhum constrangimento. [...].”2  A obsessão, por sua vez, está relacionada há três fatores básicos: a) falta moral ou comportamento social, incompatíveis com o bem (viciações); b) grave desarmonia  mental/psíquica (distúrbios mentais); c) lesões físicas que afetam certas estruturas ou órgãos relacionados ao raciocínio, à cognição, à emoção, etc. (por exemplo, certas enfermidades do sistema nervoso).
A obsessão é considerada fator primário quando a pessoa sofre ação direta de um perseguidor espiritual. As imperfeições morais (egoísmo, orgulho, vaidade, ciúme, inveja, ganância, rancor, entre outras) e vícios, de qualquer natureza, são em geral definidos como fator secundário, uma vez que o indivíduo se compraz em manter sintonia mental com entidades que  apresentam as mesmas tendências/inclinações e gostos.
De uma forma ou de outra, a obsessão conduz a pessoa a quedas morais, pois  suas estruturas mentais e o seu pensamento são continuamente submetidos a influências perniciosas, próprias ou estranhas, que produzem, em consequência, atordoamento, do raciocínio, da ideação,  das emoções e  dos sentidos como pondera Emmanuel:3
Não ignoramos, porém, que os sentidos transviados conduzem fatalmente à deturpação e ao desvario.
Os olhos são auxiliares imediatos dos espiões e dos criminosos que urdem a guerra e povoam as penitenciárias [...].
Os ouvidos são colaboradores diretos da crueldade e da calúnia que suscitam a degradação social [...].
As mãos, quando empregadas na fabricação de bombas destruidoras, são operárias da morte [...].
O sexo, que constrói o lar em nome de Deus, por toda parte é vítima de tremendos abusos pelos quais se amplia terrivelmente o número de enfermos cadastrados nos manicômios [...].
Em se tratando da prática mediúnica, Kardec apresenta  nove sinais mais evidentes do processo obsessivo, aplicados tanto ao médium, propriamente dito, ou seja, aquele que é portador de mediunidade de efeitos patentes (psicofonia, psicografia, vidência, etc.) como a  qualquer outro trabalhador da reunião mediúnica:4
1ª persistência de um Espírito em se comunicar, queira ou não o médium, pela escrita, pela audição, pela tiptologia [ruídos, como pancadas e batidas], etc., opondo-se a que outros Espíritos o façam;
2ª ilusão que, não obstante a inteligência do médium, o impede de reconhecer a falsidade e o ridículo das comunicações que recebe;
3ª crença na infalibilidade e identidade absoluta dos Espíritos que se comunicam e que, sob nomes respeitáveis e venerados, dizem coisas falsas e absurdas;
4ª confiança do médium nos elogios que lhe fazem os Espíritos que por ele se comunicam;
5ª disposição para se afastar das pessoas que podem dar-lhe conselhos úteis;
6ª reagir mal à crítica das comunicações que recebe;
7ª necessidade incessante e inoportuna de escrever [ou de se manifestar por outro tipo de mediunidade];
8ª constrangimento físico qualquer, que domine a vontade do médium e o force a agir ou falar contra a própria vontade;
9ª ruídos e perturbações persistentes ao redor do médium, dos quais ele é a causa ou o objeto visado.
 O Codificador esclarece, também, em A Gênese, como prevenir e combater as obsessões:
Assim como as moléstias resultam das imperfeições físicas que tornam o corpo acessível às influências perniciosas exteriores, a obsessão decorre sempre de uma imperfeição moral, que dá ascendência a um Espírito mau. A uma causa física, opõe-se uma força física; a uma causa moral é preciso que se contraponha uma força moral. Para preservá-lo das enfermidades, é preciso fortificá-lo; para garantir a alma contra a obsessão, tem-se que fortalecê-la. Daí, para o obsidiado, a necessidade de trabalhar pela sua própria melhoria, o que na maioria das vezes é suficiente para livrá-lo do obsessor, sem o socorro de pessoas estranhas. Este socorro se torna necessário quando a obsessão degenera em subjugação e em possessão [entendida aqui como uma manifestação gravíssima da subjugação], porque neste caso o paciente não raro perde a vontade e o livre-arbítrio.5
O Espírito André Luiz, por sua vez, esclarece:
Você, enfim, talvez se veja em qualquer estado de introdução ao desequilíbrio espiritual, prestes a cair sob cadeias obsessivas… Mas, se você realmente deseja livrar-se disso, deve compreender, antes de tudo, que precisa de esclarecimento e de amparo. Entretanto, para que você obtenha luz e auxílio é indispensável adote duas atitudes fundamentais:
Estudar e raciocinar,
a fim de instruir;
REFERÊNCIAS
1 XAVIER, Francisco Cândido. Rumo Certo. Pelo Espírito Emmanuel. 12 ed. 1 imp. Brasília: FEB Editora, 2013. Cap. 8, pág. 30.
2 KARDEC, Allan. O Livro dos médiuns. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2 ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013. Pt 2, cap. XXIII, it. 237, p. 259.
3 XAVIER, Francisco Cândido. Seara dos Médiuns. Pelo Espírito Emmanuel. 20 ed. 1 imp. Brasília: FEB Editora, 2013 Cap. 43, pág.146/147.
4 KARDEC, Allan. O Livro dos médiuns. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2 ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013. Pt 2, cap..XXIII, it. 237, pág. 259
5 _______. A Gênese. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2 ed. 1 imp. Brasília: FEB Editora, 2013. Cap. XIV, it. 46, pág. 259.
6 XAVIER, Francisco Cândido. Meditações diárias.Pelo Espírito André Luiz. 1. ed. Araras: IDE, 2009. Capítulo: Terapêutica desobsessiva, p.142.


Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/geral/colunistas/sinais-da-obsessao/

Comprovação Cientifica de Chico Xavier

A revista Saúde & Espiritualidade publicou na sua ultima edição trimestral, Artigo Cientifico sobre Chico Xavier e Andre Luiz.

No artigo Historical and cultural aspects of the pineal gland: comparison between the  theories provided by Spiritism in the 1940s and the current scientific evidence (Aspectos históricos e culturais da glândula pineal: comparação entre as teorias fornecidas pelo Espiritismo na década de 1940 e as evidências científicas atuais) conclui-se que Chico trouxe varias contribuições para a Ciência por meio da série “A Vida no Mundo Espiritual”. O artigo é de autoria de Giancarlo Lucchetti da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Segundo o endocrinologista Jorge Cecílio Daher Jr. “A aceitação do artigo para publicação, sem exigência de revisão, pode ser entendida como a aceitação que as informações de André Luiz eram cientificamente válidas e apropriadas” afirma.


Tenha acesso ao artigo na integra clicando aqui.



Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/sem-categoria/comprovacao-cientifica-de-chico-xavier/

domingo, 11 de maio de 2014

Carta a minha mãe

Mãe, quando eu comecei a escrever esta carta, usei a pena do carinho, molhada na tinta rubra do coração ferido pela saudade.
As notícias, arrumadas como pérolas em um fio precioso, começaram a saltar de lugar, atropelando o ritmo das minhas lembranças.
Vi-me criança orientada pela sua paciência. As suas mãos seguras, que me ajudaram a caminhar.
E todas as recordações, como um caleidoscópio mental, umedeceram com as lágrimas que verteram dos meus olhos tristes.
Assumiu forma, no pensamento voador, a irmã que implicava comigo.
Quantas teimas com ela. Pelo mesmo brinquedo, pelo lugar na balança, por quem entraria primeiro na piscina.
Parece-me ouvir o riso dela, infantil, estridente. E você, lecionando calma, tolerância.
Na hora do lanche, para a lição da honestidade, você dava a faca ora a um, ora a outro, para repartir o pão e o bolo.
Quantas vezes seu olhar me alcançou, dizendo-me, sem palavras, da fatia em excesso por mim escolhida.
As lições da escola, feitas sob sua supervisão, as idas ao cinema, a pipoca, o refri.
Quantas lembranças, mãe querida!
Dos dias da adolescência, do desejar alçar voos de liberdade antes de ter asas emplumadas.
Dos dias da juventude que idealizavam anseios muito além do que você, lutadora solitária, poderia me oferecer.
Lágrimas de frustração que você enxugou. Lágrimas de dor, de mágoa que você limpou, alisando-me as faces.
Quantas vezes ouço sua voz repetindo, uma vez mais:
Tudo tem seu tempo, sua hora! Aguarde! Treine paciência!
E de outras vezes:
Cada dia é oportunidade diferente. Tudo que você tem é dádiva de Deus, que não deve desprezar.
A migalha que você despreza pode ser riqueza em prato alheio. O dia que você perde na ociosidade é tesouro jogado fora, que não retorna.
Lições e lições.
A casa formosa, entre os tamarindeiros assomou na minha emoção.
Voltei aos caminhos percorridos para invadi-la novamente, como se eu fosse alguém expulso do paraíso, retornando de repente.
Mãe, chegou um momento em que a carta me penetrou de tal forma, que eu já não sabia se a escrevera.
E porque ela falava no meu coração dorido, voei, vencendo a distância.
E vim, eu mesmo, a fim de que você veja e ouça as notícias vibrando em mim.
Mãe, aqui estou. Eu sou a carta viva que ia escrever e remeter a você.
*   *   *
Entre as quadras da vida e as atividades que o mundo o envolve, reserve um tempo para essa especial criatura chamada mãe.
Não a esqueça. Escreva, telefone, mande uma flor, um mimo.
Pense quantas vezes, em sua vida, ela o surpreendeu dessa forma.
E não deixe de abraçá-la, acarinhá-la, confortar-lhe o coração.
Você, com certeza, será sempre para ela, o melhor e mais caro 

Redação do Momento Espírita, com frases do cap. XVI do livro
Pássaros Livres, pelo Espírito Rabindranath Tagore,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

Disponível no CD Momento Espírita v.18, ed. Fep.
Em 04.05.2011


Fonte: http://visaoespiritabr.com.br/moral-crista/carta-a-minha-mae-2