Por: Clara Lila Gonzales de Araújo
“Disse então aos discípulos: A seara é verdadeiramente grande, mas poucos os trabalhadores. Rogai, pois, ao dono da seara que mande trabalhadores para ela.”(Mateus, 9:37 e 38.)
Jesus conclamava seus discípulos a reunirem em torno de si todos os seguidores do Cristianismo,adeptos de boa vontade,que se esforçassem sinceramente na pregação moral pura que Ele ensinava. A mensagem do Cristo devia ser anunciada pelos trabalhadores corajosos e perseverantes, que seriam preparados para divulgá-la por diversas regiões, pois “acompanhava-o grande multidão de povo da Galileia, de Decápolis, de Jerusalém e de além do Jordão” (Mateus, 4:25). A Doutrina de Jesus é simples e clara em seus princípios e dirige-se, principalmente, aos deserdados e humildes.
Nos tempos atuais, em que se abre uma nova era, outros obreiros surgem para fazer parte das fileiras convocadas por Jesus. São as gerações recentes, que possuem as legítimas aspirações do coração e do espírito, e que retornam ao corpo de carne com o propósito de fundar a era do progresso moral. Esses Espíritos se distinguem por inteligência e razão, geralmente possuidores de sentimentos inatos do bem e simpatizantes de crenças espiritualistas. Não são exatamente seres superiores, mas possuem certo progresso moral e se acham predispostos a assimilar concepções transformadoras, de cunho religioso, científico e filosófico, que lhes permitam agir em prol da consolidação do movimento de regeneração do orbe. Ao analisar a chegada dos tempos, quando grandes acontecimentos ocorrerão para a melhoria da Humanidade,Allan Kardec observa:
A nova geração marchará, pois, para a realização de todas as ideias humanitárias compatíveis com o grau de adiantamento a que houver chegado.Avançando para o mesmo alvo e realizando seus objetivos, o Espiritismo se encontrará com ela no mesmo terreno.Aos homens progressistas se deparará nas ideias espíritas poderosa alavanca e o Espiritismo achará, nos novos homens,espíritos inteiramente dispostos a acolhê-lo. [...]1
Ao refletirmos sobre o jovem,no que tange à sua religiosidade, é comum verificar que a religião, conforme orientação da educadora espiritual Joanna de Ângelis, é primordial e importante na sua formação moral e cultural, ampliando-lhe a compreensão em torno das realidades que o cercam, influindo, fortemente, nas escolhas essenciais e prioritárias. A mentora, ao avaliar essas conquistas, esclarece:
A religião é portadora de significativa contribuição ética e espiritual no desenvolvimento do caráter e na afirmação da personalidade do jovem em desenvolvimento. Através dos seus postulados básicos, o educando nela haure a consciência de si e o começo do amadurecimento dos valores significativos, que lhe incorporarão em definitivo, estabelecendo-lhe paradigmas de comportamento para toda existência.[...] O adolescente traz em si o arquétipo religioso, que remanesce das experiências de outras reencarnações, o que o leva à busca de Deus e da imortalidade do Espírito, de forma que,reencontrando a proposta da fé,assimila-a com facilidade. [...]2
O jovem precisa conhecer de forma verdadeira a mensagem do Cristo, guardando-a no coração para o êxito de suas encarnações futuras! “[...] os conhecimentos adquiridos em cada existência não mais se perdem [...]”.3 Durante as reencarnações, o moço os esquece momentaneamente; a intuição, contudo, permite conservá-los, auxiliando-o em seu progresso espiritual no mundo material.
Não será sem esforço que o adolescente irá adquirir condições necessárias para o seu legítimo desabrochamento no campo dos postulados religiosos. Se não for estimulado apropriadamente, ele poderá tornar-se ateu ou experimentar uma variedade de posições religiosas e mudanças muito frequentes, motivado por períodos místicos exagerados. Os limites são imprecisos em consequência de sua inteligência, que se diversifica, e de suas aptidões particulares que se definem, gradualmente, permitindo-lhe escolher caminhos e engajar-se em experiências de vida adulta, estabelecendo vínculos entre ele e os outros.Nem sempre, porém, encontrará uma estrutura educativa que lhe permita consolidar certos interesses familiares, sociais e religiosos, faltando-lhe, às vezes, condições de amadurecimento emocional no uso de sua autonomia para o desempenho dos vários papéis que irá exercer ao longo de sua existência.
Quando o adolescente não é preparado para adquirir e aceitar certos valores espirituais, torna-se inseguro para enfrentar os desafios e descamba para a rebeldia, o sarcasmo e a indiferença, portas de entrada à delinquência e ao desespero. Nos malogros naturais que ocorrem durante o seu desenvolvimento, a religião se torna fator indispensável para que compreenda as situações existenciais perturbadoras, esclarecendo-se para entender o porquê de nem sempre ser bem-sucedido nos resultados obtidos das lutas que trava a cada dia, pois as provas que contraímos se tornam recursos de aprendizagem valiosos e ninguém evolui sem as enfrentar corajosamente.
Infelizmente, a maioria carece de orientação adequada dos pais, que deveriam incumbir-se da preparação de seu porvir espiritual. O bondoso Espírito Emmanuel, preocupado com o destino dos jovens, “[...] que somam às tendências do passado as experiências recém-adquiridas”,4 tece anotações sobre o problema, considerando principalmente:
[...] todos vieram da estação infantil para o desempenho de nobre destino.Entretanto, quantas ansiedades e quantas flagelações quase todos padecem, antes de se firmarem no porto seguro do dever a cumprir!... Ao mapa de orientação respeitável que trazem das esferas superiores, a transparecer-lhes do sentimento, na forma de entusiasmos e sonhos juvenis, misturam-se as deformações da realidade terrestre que neles espera a redenção do futuro. Muitos saem da meninice moralmente
mutilados [...] e [...] acordam no labirinto dos exemplos lamentáveis, partidos daqueles mesmos de quem contavam colher as diretrizes do aprimoramento interior.
A par dos vários enigmas que se destacam na educação e no encaminhamento da juventude atual,encontramos sérios entraves, que dificultam o seu autoaperfeiçoamento, interferindo nas ações evangelizadoras que auxiliam o jovem na obtenção do conhecimento doutrinário e da prática espírita-cristã.
Na entrevista com o médium Divaldo Pereira Franco, sob a inspiração do Espírito Bezerra de Menezes, em homenagem aos 35 anos da Campanha Permanente de Evangelização Espírita Infantojuvenil (2012), o preclaro mentor aponta uma dessas graves questões: O jovem moderno vive uma rotina tecnológica muito especial e perigosa. A comunicação virtual que se lhe encontra ao alcance no lar, sem a orientação nem a vigilância dos pais, facilmente indu-lo à convivência com portadores de transtornos de comportamento, pessoas viciosas, grupos atormentados que o cativam e o arrastam para as suas malhas perigosas. Esse trabalho de assistência é essencialmente da família, que tem o dever de selecionar os sites que os filhos visitam, de tomar contato com os seus relacionamentos dentro de uma convivência equilibrada e sem imposições absurdas, facilitando o trabalho do evangelizador.
As pessoas, principalmente os jovens, mergulham na sociedade que cultua a informação. São as demandas por soluções e decisões imediatas entre os seus pares. Alertados para o problema, precisamos adquirir conhecimentos que nos permitam assimilar essa rapidez na busca alucinante por respostas a todas as suas indagações, exigindo dos pais, dos evangelizadores e dos educadores uma capacidade de adaptação e flexibilidade muito grandes.Como vigiar os impulsos dos jovens com suas energias sobrecarregadas de vitalidade e supondo tudo saber sobre a vida? A experiência vai lhes mostrar a excelência dos valores legítimos, levando-os a discernir. Ter paciência com eles significa, sobretudo, cuidar para que a religião seja a força que amplie os potenciais dos seus sentimentos e que, no Espiritismo, encontrem a sua renovação mental.
Portanto, é nosso dever encaminhar os moços aos centros espíritas, na execução das tarefas de amor que os aguardam, atendendo ao apelo do Mestre para que outros obreiros atuem no serviço misericordioso a ser cumprido em sua vasta seara.
Referências:
1KARDEC, Allan. A gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 52. ed. 5. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2012. cap. 18, it. 24.
2FRANCO, Divaldo P. Adolescência e vida.Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador (BA): Leal, 1997. cap. 19, O adolescente e a religião.
3KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 92. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2012. q. 218a.
4XAVIER, Francisco C. Religião dos espíritos. Pelo Espírito Emmanuel. 21. ed. 3. reimp.p. 205.
5______. ______. p. 205 e 206.
6DUSI, Miriam M. (Coord.). Sublime sementeira: Evangelização espírita infantojuvenil.2. reimp. Brasília: FEB, 2012. Entrevista com Divaldo Franco, sob inspiração de Bezerra de Menezes. p. 53 e 54, resposta à q. 5.
Fonte: http://www.sistemas.febnet.org.br/reformadoronline/pagina/?id=351
sábado, 13 de abril de 2013
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Os Simbolismos da Páscoa e o Espiritismo
A palavra Páscoa tem origem em dois vocábulos hebraicos: um, derivado do verbo pasah, quer dizer “passar por cima” (Êxodo, 23: 14-17), outro, traz raiz etimológica de pessach (ou pasha, do grego) indica apenas “passagem”. Trata-se de uma festa religiosa tradicionalmente celebrada por judeus e por católicos das igrejas romana e ortodoxa, cujo significado é distinto entre esses dois grupos religiosos.
No judaísmo, a Páscoa comemora dois gloriosos eventos históricos, ambos executados sob a firme liderança de Moisés: no primeiro, os judeus são libertados da escravidão egípcia, assinalada a partir da travessia no Mar Vermelho (Êxodo, 12, 13 e 14). O segundo evento caracteriza a vida em liberdade do povo judeu, a formação da nação judaica e a sua organização religiosa, culminada com o recebimento do Decálogo ou Os Dez Mandamentos da Lei de Deus (Êxodo 20: 1 a 21). As festividades da Páscoa judaica duram sete dias, sendo proibida a ingestão de alimentos e bebidas fermentadas durante o período. Os pães asmos (hag hammassôt), fabricados sem fermento, e a carne de cordeiro são os alimentos básicos.
A Páscoa católica, festejada pelas igrejas romana e ortodoxa, refere-se à ressurreição de Jesus, após a sua morte na cruz (Mateus, 28: 1-20; Marcos, 16: 1-20; Lucas, 24: 1-53; João, 20: 1-31 e 21: 1-25). A data da comemoração da Páscoa cristã, instituída a partir do século II da Era atual, foi motivo de muitos debates no passado. Assim, no primeiro concílio eclesiástico católico, o Concílio Nicéia, realizado em 325 d.C, foi estabelecido que a Páscoa católica não poderia coincidir com a judaica. A partir daí,a Igreja de Roma segue o calendário Juliano (instituído por Júlio César), para evitar a coincidência da Páscoa com o Pessach. Entretanto, as igrejas da Ásia Menor, permaneceram seguindo o calendário gregoriano, de forma que a comemoração da Páscoa dos católicos ortodoxos coincide, vez ou outra, com a judaica.[1]
Os cristãos adeptos da igreja reformada, em especial a luterana, não seguem os ritos dos católicos romanos e ortodoxos, pois não fazem vinculações da Páscoa com a ressurreição do Cristo. Adotam a orientação mais ampla de que há, com efeito, apenas uma ceia pascoal, uma reunião familiar, instituída pelo próprio Jesus (Mateus 26:17-19; Marcos 14:12-16; Lucas 22:7-13) no dia da Páscoa judaica.[2] Assim, entendem que não há porque celebrar a Páscoa no dia da ressurreição do Cristo. Por outro, fundamentados em certas orientações do apóstolo Paulo (1 Coríntios,5:7), defendem a ideia de ser o Cristo, ele mesmo, a própria Páscoa, associando a este pensamento importante interpretação de outro ensinamento de Paulo de Tarso (1Corintios, 5:8): o “cristão deve lançar fora o velho fermento, da maldade e da malícia, e colocar no lugar dele os asmos da sinceridade e da verdade.”[3]
Algumas festividades politeístas relacionados à chegada da primavera e à fertilidade passaram à posteridade e foram incorporados à simbologia da Páscoa. Por exemplo, havia (e ainda há) entre países da Europa e Ásia Menor o hábito de pintar ovos cozidos com
cores diferentes e decorá-los com figuras abstratas, substituídos, hoje, por ovos de chocolate. A figura do coelho da páscoa, tão comum no Ocidente, tem origem no culto à deusa nórdica da fertilidade Gefjun, representada por uma lebre (não coelho). As sacerdotisas de Gefjun eram capazes de prever o futuro, observando as vísceras do animal sacrificado.[1]
É interessante observar que nos países de língua germânica, no passado, havia uma palavra que denotava a festa do equinócio do inverno. Subsequentemente, com a chegada do cristianismo, essa mesma palavra passou a ser empregada para denotar o aniversário da ressurreição de Cristo. Essa palavra, em inglês, “Easter”, parece ser reminiscência de “Astarte”, a deusa-mãe da fertilidade, cujo culto era generalizado por todo o mundo antigo oriental e ocidental, e que na Bíblia é chamada de Astarote. (…) Já no grego e nas línguas neolatinas, “Páscoa” é nome que se deriva do termo grego pascha.[2]
A Doutrina Espírita não comemora a Páscoa, ainda que acate os preceitos do Evangelho de Jesus, o guia e modelo que Deus nos concedeu: “(…) Jesus representa o tipo da perfeição moral que a Humanidade pode aspirar na Terra.”[3] Contudo, é importante destacar: o Espiritismo respeita a Páscoa comemorada pelos judeus e cristãos, e compartilha o valor do simbolismo representado, ainda que apresente outras interpretações. A liberdade conquistada pelo povo judeu, ou a de qualquer outro povo no Planeta, merece ser lembrada e celebrada. Os Dez Mandamentos, o clímax da missão de Moisés, é um código ”(…) de todos os tempos e de todos os países, e tem, por isso mesmo, caráter divino. (…).”[4] A ressurreição do Cristo representa a vitória sobre a morte do corpo físico, e anuncia, sem sombra de dúvidas, a imortalidade e a sobrevivência do Espírito em outra dimensão da vida.
Os discípulos do Senhor conheciam a importância da certeza na sobrevivência para o triunfo da vida moral. Eles mesmos se viram radicalmente transformados, após a ressurreição do Amigo Celeste, ao reconhecerem que o amor e a justiça regem o ser além do túmulo. Por isso mesmo, atraiam companheiros novos, transmitindo-lhes a convicção de que o Mestre prosseguia vivo e operoso, para lá do sepulcro.[5]
Os espíritas, procuramos comemorar a Páscoa todos os dias da existência, a se traduzir no esforço perene de vivenciar a mensagem de Jesus, estando cientes que, um dia, poderemos também testemunhar esta certeza do inesquecível apóstolo dos gentios: “Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu quem vivo, mas é Cristo vive em mim. Minha vida presente na carne, vivo-a no corpo, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim”. (Gálatas 2.20)[6]
[1] //pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1scoa Acesso: 27/03/2013.
[2] J.D. Douglas. O Novo Dicionário da Bíblia. Pág. 1002.
[3] Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Q. 625, pág.
[4] Idem. O Evangelho segundo o Espiritismo. Cap. I, it. 2, pág. 56.
[5] Francisco Cândido Xavier. Pão Nosso. Pelo Espírito Emmanuel. Cap. 176, pág. 365.
[6] Bíblia de Jerusalém. Pág. 2033.
Referências
BÍBLIA DE JERUSALÉM. Diversos tradutores. São Paulo: Paulus, 2002.
ELWELL, Walter A (editor). Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Trad. Gordon Chow. 1ªed. 3ª reimp. Vol. III. São Paulo: Edições Vida Nova, 2003.
DOUGLAS, J.D. (organizador). O Novo Dicionário da Bíblia. Tradução de João Bentes. 3ª ed. rev. São Paulo: Vida Nova, 2006.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2ªed. 1ª reimp. Rio de Janeiro: FEB Editora, 2011.
_____. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 1ªed. 1ª reimp. Rio de Janeiro: FEB Editora, 2008.
XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso. Pelo Espírito Emmanuel. 1ªed. 3ª reimp. Brasília: FEB Editora, 2012 (Coleção Fonte viva;2)
segunda-feira, 25 de março de 2013
Congresso de Cuba supera expectativas
O 7º. Congresso Espírita Mundial, promovido pelo Conselho Espírita Internacional, em Havana (Cuba), superou as expectativas de participação, com quase dois mil inscritos, sendo a maioria de cubanos – perto de 1200 -, mais de 500 brasileiros e mais de 200 espíritas de 24 países. Dias antes houve um pré-Congresso na região leste de Cuba, com palestras e visitas a Manzanillo, Bayamo e Sierra Maestra.
Como parte de tradição local, antes do início do Congresso houve homenagem pública em praça central ao patriota José Marti (também simpatizante de ideias espírita). O Teatro Lazaro Peña esteve lotado durante todo o período de 22 a 24 de março. Na abertura e em vários momentos compareceram representantes do Governo de Cuba: assessor do presidente da República, diretora e assessora do Departamento de Assuntos Religiosos do Governo, assessora do Ministério da Justiça.
Servando Agramonte e muitos líderes do Movimento Espírita Cubano usaram da palavra. Divaldo Pereira Franco proferiu as palestras de abertura e de encerramento e foi homenageado durante o evento, pelo seu trabalho pela paz. Atuaram como expositores: Fábio Villarraga e Jorge Berrio (Colombia); Charles Kempf (França); Vitor Mora Feria (Portugal); Eduardo Nanni (Bolívia); Jean Paul Évrard (Bélgica); Jussara Korngold e Vanessa Anseloni (EUA); Antonio Cesar Perri de Carvalho, Marlene Nobre, Roberto Fuina Versiani (Brasil); Elsa Rossi (Reino Unido); Ciro Labrada, Servando Agramonte, Raúl Hernández Espinosa, Manuel de la Cruz, Rev. Juan Ramón de La Paz (Cuba); José Velásquez (El Salvador); Maria de La Gracia de Ender (Panamá); Jorge Camargo Zurita (México); Odette Lettelier (Chile); José Vásquez (Venezuela); Salvador Martin (Espanha); Edwin Bravo (Guatemala); Eduardo Dos Santos e Edimilson L. Nogueira (Uruguai); Edgard Machuca (Porto Rico); Gustavo Martinez (Argentina). Ocorreram diversas apresentações artístico-culturais.
Ao final, foi informado que os vídeos sobre o Congresso estarão disponíveis em um novo site dentro de 40 dias (www.cubaespirita.org). O 8º. Congresso Mundial será realizado no 2º. semestre de 2016, em Lisboa (Portugal). Durante os dias e em seguida ao Congresso também ocorreram reuniões da Comissão Executiva do CEI e Reunião Ordinária do CEI. Informações: www.7cem.org; www.febnet.org.br
Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/geral/divulgacao/congresso-de-cuba-supera-expectativas/
sábado, 2 de março de 2013
O Que é Passe Espírita?
Para o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a palavra passe apresenta vários significados, entre outros, é o “ato de passar as mãos repetidas vezes por diante ou por cima de pessoa que se pretende magnetizar ou curar pela força mediúnica.”[1]
O Dicionário de Parapsicologia, Metapsíquica e Espiritismo conceitua passes como sendo
movimentos com as mãos, feitos pelos médiuns passistas, nos indivíduos com desequilíbrios psicossomáticos ou apenas desejosos de uma ação fluídica benéfica. (…) Os passes espíritas são uma imitação dos passes hipnomagnéticos, com a única diferença de contarem com a assistência, invocada e sabida, dos protetores espirituais.” [2]
O Espiritismo oferece uma visão mais abrangente do assunto que, resumidamente, podemos assinalar assim:
- Passe é uma transmissão conjunta, ou mista, de fluidos magnéticos – provenientes do encarnado – e de fluidos espirituais – oriundos dos benfeitores espirituais, não devendo ser considerada uma simples transmissão de energia animal (magnetização).
- A aplicação do passe tem como finalidade auxiliar a recuperação de desarmonias físicas e psíquicas, substituindo os fluidos deletérios por fluidos benéficos; equilibrar o funcionamento de células e tecidos lesados; promover a harmonização do funcionamento de estrutura neurológicas que garantem o estado de lucidez mental e intelectual do indivíduo.
- O passe é, usualmente, transmitido pelas mãos, mas também pode ser feito pelo olhar, pelo sopro ou, à distância, por intermédio das irradiações mentais.
- A transmissão e a recepção do passe guarda relação com o poder da vontade de quem doa as energias benéficas e de quem as recebe.
- A cura verdadeira das doenças está relacionada ao processo de reajuste do Espírito, que pode extrapolar o limite de tempo de uma reencarnação, sendo o passe apenas um instrumento de auxílio.
- Para prevenir-se contra enfermidades ou perturbações,não previstas na Lei de Causa e Efeito, é necessário que a pessoa defina e siga uma programação de melhoria moral, de esclarecimento espiritual.
Para Emmanuel, assim
(…) como a transfusão de sangue representa uma renovação das forças físicas, o passe é uma transfusão de energias psíquicas, com a diferença de que os recursos orgânicos são retirados de um reservatório limitado, e os elementos psíquicos o são do reservatório ilimitado das forças espirituais.[3]
Referências
HOUAISS, Antônio e Villar, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua Rio de Janeiro: Editora Objetiva. 2009.
PAULA, João Teixeira. Dicionário Parapsicologia, Metapsíquica e Espiritismo. Volume III. São Paulo:Banco Cultural Brasileiro Editora, 1970.
XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008.
[2] João Teixeira de Paula. Dicionário de Parapsicologia, Metapsíquica e Espiritismo, pág. 57.
[3] Antonio Houaiss. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, pág. 1.443.
Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/geral/colunistas/o-que-e-passe-espirita/
sábado, 26 de janeiro de 2013
Allan Kardec
Muitas pessoas que se interessam pelo Espiritismo manifestam muitas vezes o pesar de não possuírem senão muito imperfeito conhecimento da biografia de Allan Kardec, e de não saberem onde encontrar, sobre aquele a quem chamamos Mestre, as informações que desejariam conhecer. Pois é para honrar Allan Kardec e festejar a sua memória que nos achamos hoje reunidos, e mesmo sentimento de veneração e de reconhecimento faz vibrar todos os corações.
Em respeito ao fundador da filosofia espírita, permiti-me, no intuito de tentar corresponder a tão legítimo desejo, que vos entretenha alguns momentos com esse Mestre amado, cujos trabalhos são universalmente conhecidos e apreciados, e cuja vida íntima e laboriosa existência são apenas conjeturadas. Se fácil foi a todos os investigadores conscienciosos inteirarem-se do alto valor e do grande alcance da obra de Allan Kardec pela leitura atenta das suas produções, bem poucos puderam, pela ausência até hoje de elementos para isso, penetrar na vida do homem íntimo e seguí-lo passo a passo no desempenho da sua tarefa, tão grande, tão gloriosa e tão bem preenchida.
Não somente a biografia de Allan Kardec é pouco conhecida, senão que ainda está por ser escrita. A inveja e o ciúme semearam sobre ela os mais evidentes erros, as mais grosseiras e as mais impudentes calúnias. Vou, portanto, esforçar-me por mostrar-vos, com luz mais verdadeira, o grande iniciador de quem nos desvanecemos de ser discípulos. Todos sabeis que a nossa cidade se pode honrar, a justo título, de ter visto nascer entre seus muros esse pensador tão arrojado quão metódico, esse filósofo sábio, clarividente e profundo, esse trabalhador obstinado cujo labor sacudiu o edifício religioso do Velho Mundo e preparou os novos fundamentos que deveriam servir de base à evolução e à renovação da nossa sociedade caduca, impelindo-a para um ideal mais são, mais elevado, para um adiantamento intelectual e moral seguros.
Foi, com efeito, em Lião, que, a 3 de outubro de 1804, nasceu de antiga família lionesa, com o nome de Rivail, aquele que devia mais tarde ilustrar o nome de Allan Kardec e conquistar para ele tantos títulos à nossa profunda simpatia, ao nosso filial reconhecimento. Eis aqui a esse respeito um documento positivo e oficial: “Aos 12 do vindemiário3 do ano XIII, auto do nascimento de Denizard Hippolyte-Léon Rivail, nascido ontem às 7 horas da noite, filho de Jean Baptiste – Antoine Rivail, magistrado, juiz, e Jeanne Duhamel, sua esposa, residentes em Lião, rua Sala n° 76. “O sexo da criança foi reconhecido como masculino. “Testemunhas maiores: “Syriaque-Frédéric Dittmar, diretor do estabelecimento das águas minerais da rua Sala, e Jean-François Targe, mesma rua Sala, à requisição do médico Pierre Radamel, rua Saint-Dominique n° 78. 3 Veja-se “Reformador” de abril de 1947, pág, 85.
Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/geral/o-espiritismo/allan-kardec/
domingo, 23 de dezembro de 2012
Todo dia é Natal
Estamos nos aproximando de uma data especial no calendário terreno: em 25 de dezembro, comemoramos o Natal, dia do nascimento de Jesus.
Nesse período, em que nos sentimos envolver por vibrações diferentes, cabe-nos refletir sobre o significado do Natal.
No último mês do ano, as pessoas ficam mais receptivas aos bons sentimentos e propósitos de agir no bem.
A solidariedade, o respeito e a fraternidade se fazem presentes nas intenções de promover o melhor ao alcance, dentro das possibilidades de cada um.
A boa vontade é estimulada pela disposição de olhar o outro como não o fazemos ao longo do restante do ano.
O interesse em renovar hábitos e reformular atitudes torna-se evidente.
A iniciativa para servir àqueles que necessitam é mais determinada, seja para ir ao encontro do próximo, seja para receber sua demanda, tão constante no momento do Natal.
Lembramo-nos, sensibilizados, de Deus como Pai, de Jesus como Mestre e do semelhante como irmão, ampliando os laços da família universal.
Surge um novo dia repleto de oportunidades para recomeçar. Tudo, agora, com mais amor no coração e lucidez na mente para que nos tornemos instrumentos afinados com o diapasão divino.
Poderíamos estampar um acróstico para a leitura e reflexão de todos, com o rico significado do Natal:
Nascimento = renascimento, renovação, recomeço
Amor = abnegação, benevolência, renúncia
Tolerância = indulgência, paciência, compreensão
Alteridade = caridade, empatia, proximidade
Libertação = liberdade, responsabilidade, evolução
Amor = abnegação, benevolência, renúncia
Tolerância = indulgência, paciência, compreensão
Alteridade = caridade, empatia, proximidade
Libertação = liberdade, responsabilidade, evolução
Aproveitemos esses instantes sublimes, fazendo com que eles se perpetuem em nossa existência, evocando o aniversariante, modelo e guia da humanidade, e nunca nos esquecendo de que Natal é todo dia.
Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/geral/todo-dia-e-natal/
Jesus
Na questão 625 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta: Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem para lhe servir de guia e modelo? E recebe uma resposta simples e direta: “Jesus”.1
Comentando o assunto, o Codificador observa: “Para o homem, Jesus representa o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo, e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão de sua lei, porque, sendo Jesus o ser mais puro que já apareceu na Terra, o Espírito Divino o animava”.
Essa questão, inúmeras vezes lembrada, merece uma análise. Apesar das deturpações realizadas pelos homens por meio das instituições por eles criadas, uma observação feita, com total isenção, sobre a presença de Jesus na Terra, mostra que Ele deixou uma Doutrina que ampliou e aprofundou, no sentido da valorização do amor e do conhecimento, os mandamentos recebidos por Moisés. Observa-se isso nos ensinos do Sermão da Montanha, nas parábolas, para a compreensão do Reino de Deus, e nas inúmeras oportunidades de conversação que teve, não só com os seus discípulos, mas também com as demais pessoas com quem conviveu.
Além disso, deixou os exemplos de profundo amor para com tudo que a Natureza apresenta, em especial para com os seres humanos: curou os enfermos, deu de comer aos famintos, acolheu e orientou os aflitos e perturbados de toda ordem, e deu testemunho de coragem, paciência, tolerância e perdão, especialmente no episódio da crucificação.
Dando prova, finalmente, da imortalidade, com a sua ressurreição, abriu para a Humanidade uma nova visão de vida que ultrapassa os limites da morte física. Com seus ensinos e exemplos espalhou a verdade, que agora se destaca ainda mais com o advento do Consolador Prometido.
Aqueles que estão convictos dessa realidade assumem, naturalmente, o dever, consigo mesmos, de trabalhar, nesta e nas próximas reencarnações, no propósito de substituir os seus velhos e viciados hábitos por novos, decorrentes da vivência do Evangelho e formados à luz da Doutrina de Jesus, que é a expressão das Leis de Deus.
“Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.”2 – JESUS
Nestor João Masotti – Presidente licenciado da FEB
Transcrição do Editorial da revista Reformador de dezembro de 2009
_______________
1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Ed. Comemorativa do Sesquicentenário. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2007. 2. João, 13:17.
Fonte: http://www.febnet.org.br/blog/geral/colunistas/jesus/
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